Pronto, mais um case-study para a Internet portuguesa. Resumindo um pouco a história, para quem não sabe do que estou a falar. O Daniel deixou um comentário na página no Facebook da Ana Malhoa questionando a autoria de uma das suas músicas.

Oh Ana, afinal a Bomba Latina não é tua? Era suposto ninguém reparar? http://www.youtube.com/watch?v=5lSw9G6d2EE

Resposta da “artista” (em Caps Lock, para se ver bem).

QUERIDO AMIGO DANIEL LOURO SE FOSSSE SUPOSTO NINGUÉM REPARAR NÃO FAZIA A MUSICA? NÃO SE PODE FAZER VERSÕES AMIGO? EM TODO O MUNDO SE FAZ,EM PORTUGAL GRANDES NOMES TB FAZEM E EU CARO AMIGO,SOU MESMO UMA ” BOMBA LATINA” QUE INCOMODA MUITA GENTE DE MERDA COMO TU!

Depois disso, e do caso ter sido noticiado no site do Jornal de Notícias, entrou em cena a malta dos fóruns ( * ) e foi o descalabro, com insultos, piadas, bitaites, etc. Podem ver tudo na página da Ana Malhoa no Facebook (e no post onde tudo começou). Pelo menos enquanto estiver online, porque a rapariga já declarou o fecho da página e já apagou todas as fotos.

A lição a retirar disto é tão óbvia que até dói. Não insultes as pessoas! (principalmente se fores um figura pública ou tiveres algum cargo de destaque)

Este caso é bastante diferente do caso da Ensitel, tanto em termos de dimensão como de “nobreza” da causa, mas mostra também que quando “a Internet” assume uma causa é muito difícil de controlar.

Claro que pedir desculpa teria sido uma boa opção e provavelmente teria ajudado a reduzir o volume de insultos, mas isso parece sempre que está fora de questão. Em vez disso tentou-se empurrar a questão para fora da primeira página com novos posts, apenas para cada um desses posts ser inundado com centenas de comentários. É uma luta de um contra muitos, é impossível ganhar.

A originalidade das músicas

Outra questão, a que deu origem a isto tudo mas que foi relegada para segundo plano, é a da originalidade das músicas. Não há nada de errado em fazer versões de outros artistas, pelo contrário, muitas vezes a versão ganha uma vida completamente diferente do original. Embora, neste caso, se esteja a falar mais de uma tradução que duma versão. Além disso o crédito foi dado aos artistas originais (ao contrário do que fez o Tony Carreira) e nada indica que os direitos das músicas não estão devidamente licenciados (não basta só indicar a autoria).

O que se passa é que as duas músicas apresentadas do álbum são versões. Vejam só, Bomba Latina e Soy Latina. Carinha Bonita e Niña Bonita. A primeira (6 mil hits no YouTube) bem mais obscura que a segunda (24 milhões).

Ilegalidade? Parece que não. Preguiça intelectual? Sim, muita.

[Edit às 21:20: Falha minha. Primeira regra do "tal fórum", não falarás do "tal fórum".]