Sobre o Shark Tank Portugal

Com dois episódios emitidos, já dá para ter algumas ideias sobre a versão portuguesa do Shark Tank. A primeira impressão com que fico é que as suas qualidades e defeitos são relativamente semelhantes à versão americana.

De certa forma é um elogio que se pode fazer à versão portuguesa. Que se aguenta bem na comparação com o programa americano.

O programa tem duas dimensões relativamente distintas. Por um lado, é apenas entretenimento televisivo e não deve ser levado muito a sério.

Por outro, lida com pessoas e negócios reais e pretende ser uma mostra do empreendedorismo português. É aqui que começa a falhar.

Não há nada de errado com as ideias de negócio apresentadas. Umas mais interessantes que outras, como é normal. O problema está no tratamento que é dado aos empresários.

De uma ponta à outra, o programa está desenhado para colocar o empreendedor numa posição de inferioridade em relação ao investidor.

Começando na edição do programa, feita especialmente para fazer parecer que o candidato está sempre à rasca perante as perguntas dos tubarões. Até ao discurso agressivo e, às vezes, insultuoso sobre negócios que acabaram de lhes ser apresentados e, sobre o qual têm um conhecimento, inevitavelmente, limitado.

Portanto, se estiverem à procura de investimento, vale a pena tentar ir ao programa? Os empreendedores têm duas coisas a ganhar ao irem ao programa: publicidade e investimento.

É sempre positivo expor um produto ou serviço na televisão. Contudo, convém lembrar que Portugal é um mercado muito mais pequeno que o americano, logo o impacto no negócio também será mais reduzido.

Depois, o investimento. Será necessário ir à televisão e aturar aquele comportamento para obter investimento? Fica ao critério de cada um mas, apesar do marketing que é feito pelo programa, estes investidores em particular não são especiais.

Não quero, com isto, convencê-los a não ver o programa. Eu próprio devo continuar a ver, pelo menos durante mais alguns episódios. Continua a ser um programa de televisão relativamente interessante. Convém é estar atento ao que realmente se está a passar.

Zé Cipriano
Web developer independente (PHP, Laravel).

Um comentário a “Sobre o Shark Tank Portugal

  1. Interessante o teu ponto de vista Ze, gostei muito a ideia que partilhaste do programa, e a meu ver não fujo muito da tua ideia. Pessoalmente acho bom os juris serem duros para com os candidatos, passam candidatos no programa que mais que um investimento necessitavam de saber gerir o seu negócio. e essas criticas poderão ser encaradas pelo público como recomendações e conselhos.

    Eu pessoalmente sinto pelo que vejo à minha volta muita gente que não consegue avaliar o seu produto no mercado, não fizeram um estudo prévio no que muitas vezes acaba por falir. Ou até outras pessoas que tem medo de criar a sua propria empresa.

    As pessoas criam um modelo mental que impede muitas vezes dar inicio aos seus projectos, um exemplo desse modelo é o de dizer “Criar uma empresa é arriscado”, essa incerteza está sempre presente, mas é um elemento de gestão perfeitamente gerivel, e esses riscos podem ser minimizados. Ou até à situações que dizem:

    “É preciso ter muito de dinheiro antes de criar empresa”, muitas vezes e especialmente na tua área e até na minha não é necessário, ou mesmo quando dizem “é preciso ter contactos…” os contactos pessoais são importantes, mas o conhecimento é crucial se queremos aproveitar esses contactos da melhor forma.

    Mas o mais importante de tudo é a pessoa saber avaliar o seu produto no mercado.

    Deixo abaixo 10 perguntas que encontrei num livro de gestão que talvez possa ser interessante para futuros empresários. Classifiquem cada pergunta em que 0 significa “nada atraente” e 10 “extremamente atraente”.

    Se a sua classificação for igual ou superior a 75 tem uma boa ideia, caso seja inferior a 75 talvez seja melhor pensar noutros negócios.

    1) Urgência – Com que urgência é que os outros querem ou precisam deste produto agora mesmo?
    2) Dimensão do Mercado – Quantas pessoas estão ativamente a adquirir coisas como esta?
    3) Potencial de Preço – Qual o preço mais elevado que um típico comprador estaria disposto a gastar em troca de uma solução?
    4) Custo de aquisição de clientes – Que facilidade terá em adquirir um novo cliente?
    5) Custo do fornecimento de valor – Quanto custaria criar e fornecer o valor proposto, tanto em termos de dinheiro como de esforço?
    6) Exclusividade da Oferta – Até que ponto a sua oferta é unica relativamente às da concorrência, e com que facilidade os seus potenciais concorrentes poderão copiá-la?
    7) Velocidade de comercialização – Com que rapidez pode criar alguma coisa para vender?
    8) Investimento inicial – Quanto terá de investir antes de estar pronto a vender?
    9) Potencial de Vendas Adicionais (Upsell) – Haverá ofertas secundárias relacionadas que possa igualmente apresentar aos clientes?
    10) Potencial de manutenção – Depois de criada a oferta inicial, quanto trabalho suplementar necessitará de produzir para continuar a vender?

    De resto o que tenho a dizer é continuar com o teu blog, pois abordas temas bem interessantes.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *